Paradas estão,
Paradas estão as lagartixas em frente ao meu portão.
Estão mortas, todas mortas, assim como esse silêncio morto que ecoa em
meu coração.
Há uma rachadura no pavimento do lado de seus corpos miúdos, mas nem se compara ao tamanho da rachadura
que se estende da minha mão esquerda até o meu peito.
Dela vaza palavras e mais palavras que escorrem,
Pingam,
Pingam sem parar no chão.
Ás vezes eu recolho algumas, mas na maior parte do tempo apenas observo
com olhos vazios e perdidos para aquele emaranhado de infinito.
Sou escritora de cadernos velhos em tardes vazias. Sou um rabisco no canto da página. Sou um encontro de histórias, algumas com vírgulas, umas poucas com reticências e outras com pontos finais. Sou um acumulo de palavras não ditas. Sou apenas mais alguém jogando esse jogo que chamamos de vida.
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